Casas inteligentes: quais são os produtos IoT que os italianos realmente utilizam

O mercado italiano da domótica ultrapassou a marca de mil milhões de euros em 2025, registando um crescimento de 11% em termos homólogos e confirmando uma integração progressiva das tecnologias inteligentes no quotidiano. No entanto, para além dos números que caracterizam o setor, surge uma realidade que merece a atenção das partes interessadas: a sobre a diferença entre os aparelhos adquiridos e os que são efetivamente utilizados pelas famílias italianas. Embora quase sessenta e quatro por cento dos nossos compatriotas afirmem possuir pelo menos um dispositivo inteligente, apenas cinquenta e um por cento destes procederam efetivamente à ligação dos produtos adquiridos às suas redes domésticas.


A segurança como prioridade fundamental

A análise da composição do mercado doméstico de dispositivos inteligentes revela um panorama fortemente dominado por uma categoria específica de soluções, nomeadamente as dedicadas à segurança doméstica – incluindo câmaras de vídeo, sensores de abertura, videoporteiros e fechaduras conectadas – que absorve o trinta por cento de todo o setor, no valor de trezentos e cinco milhões de euros, registando um crescimento particularmente robusto (de vinte e dois por cento) em relação ao ano anterior. O facto de este segmento continuar a expandir-se de forma tão significativa atesta que a segurança continua a ser uma prioridade inegociável, mesmo num contexto em que outras inovações — tais como a automatização do consumo energético ou o conforto habitacional — representam objetivos igualmente relevantes.

IoT-segurança


Pequenos eletrodomésticos e automação generalizada

Para além da segurança perimetral, as famílias italianas demonstram um interesse crescente pelos eletrodomésticos conectados, que representam vinte por cento do volume de negócios total – equivalente a cento e noventa e cinco milhões de euros –, impulsionados sobretudo pelos pequenos aparelhos inteligentes dotados de funcionalidades avançadas. Este segmento inclui realidades bastante heterogéneas, que vão desde robôs aspiradores inteligentes a máquinas de café controláveis à distância, desde frigoríficos capazes de monitorizar o consumo até fornos equipados com sensores que otimizam os ciclos de cozedura. O crescimento desta categoria demonstra como a IoT está a penetrar nos ambientes domésticos com uma uma capilaridade cada vez maior. Desta forma, o consumidor habitual já não se depara com dispositivos isolados, mas sim com verdadeiros ecossistemas onde a coordenação entre múltiplas funções permite atingir níveis de eficiência antes inimagináveis.


Eficiência energética e consciência do consumo

O interesse pelo poupança de energia corresponde atualmente a uma quota de mercado de catorze por cento, no valor de cento e quarenta e dois milhões de euros. Nesta categoria incluem-se os termóstatos inteligentes, as válvulas termostáticas em radiadores individuais e os sistemas de controlo da climatização que utilizam algoritmos de aprendizagem para se adaptarem aos hábitos dos ocupantes. Embora o segmento ainda não tenha atingido as dimensões dos dois segmentos anteriores, a sua trajetória revela-se particularmente interessante para quem opera no setor da produção de componentes de controlo, sensores e interfaces de utilizador, uma vez que a eficiência térmica representa, ao mesmo tempo, um imperativo normativo europeu e uma necessidade orçamental tanto para as famílias como para as administrações públicas.

aspirador inteligente


Altifalantes inteligentes e a democratização do controlo por voz

Os altifalantes inteligentes representam mais um motor de transformação, ao qual o mercado atribui 11% do valor global, ou seja, cerca de 110 milhões de euros. Estes dispositivos, que funcionam simultaneamente como centro de comando por voz e como hub de conectividade para a coordenação de outros sistemas domésticos, revelaram-se fundamentais para uma difusão mais generalizada da domótica destinado a um público que, em geral, tem menos conhecimentos tecnológicos. A sua função não se limita à reprodução de áudio ou ao acesso a assistentes virtuais; na verdade, apresentam-se como dos elementos que constituem um ecossistema completo, graças ao qual o utilizador doméstico pode emitir comandos em linguagem natural e receber respostas imediatas sem necessidade de interagir com interfaces complexas. Esta democratização do acesso – se assim se pode definir – permitiu uma penetração da domótica em segmentos da população que, de outra forma, teriam ficado excluídos dessa revolução, uma vez que não possuem as competências técnicas necessárias para interagir com aplicações móveis sofisticadas ou com painéis de controlo altamente configuráveis.


A diferença fundamental entre a posse e a utilização efetiva

Como já foi referido, um dado relevante diz respeito ao comportamento dos italianos em relação à ligação efetiva dos dispositivos, uma vez que, embora 64% possuam pelo menos um dispositivo inteligente, apenas 51% o tenham efetivamente ligado à Internet. Esta diferença de 13 pontos percentuais revela uma descontinuidade entre a intenção de compra e a concretização do valor prometido, o que reflete provavelmente uma combinação de fatores, tais como a complexidade percebida na instalação, a necessidade de uma ligação à Internet doméstica estável e o receio de problemas relacionados com a privacidade. Para o fabricante de componentes, esta realidade define claramente a necessidade de investir na experiência do utilizador, na documentação acessível e no apoio ao cliente, fatores que acompanhem o utilizador na 'última milha” da adoção tecnológica.

IoT na cozinha


A inteligência artificial como novo paradigma

A evolução do setor em 2025 e 2026 foi marcada pela entrada em força da inteligência artificial nas propostas de valor oferecidas aos consumidores. Já não se trata de simples automatizações baseadas em regras pré-determinadas, mas sim de sistemas capazes de aprender com os hábitos dos habitantes de uma casa e de se adaptarem de forma autónoma com o objetivo de maximizar o conforto e a eficiência energética. Este elemento permite que os dispositivos atuais interpretem o significado das intenções humanas e se adaptem a variações nos padrões de comportamento, criando assim uma experiência de utilização que, por mais tecnologicamente sofisticada que seja, se revela, aos olhos do utilizador final, extraordinariamente intuitiva e natural.
Fica, portanto, claramente evidente que a integração entre a IoT e a inteligência artificial representa a frente decisiva da concorrência no próximo período. Não se trata de uma questão de tendências tecnológicas, mas sim de umareafectação do valor económico em direção aos intervenientes capazes de proporcionar experiências de utilizador de qualidade superior através da utilização de algoritmos sofisticados.


Despesa per capita e margens de crescimento possíveis

despesa per capita italiana no segmento da casa inteligente – que ascende a cerca de 16,9 euros por habitante – continua a ser inferior à média da União Europeia, que se situa nos 34,2 euros, uma circunstância que representa tanto um desafio como uma oportunidade. Se, por um lado, o mercado italiano ainda se encontra numa fase de maturação, com a necessidade de investimentos significativos na educação do consumidor, por outro lado, é importante considerar que cada aumento da penetração em pequenas faixas da população equivaleria a dezenas de milhares de novas unidades de hardware e firmware a fornecer. Para os operadores da cadeia de valor da indústria eletrónica italiana e europeia, a concorrência no futuro não se medirá apenas pela capacidade técnica de conceber componentes inovadores, mas também pela uma capacidade mais abrangente de criar ecossistemas onde a facilidade de utilização, a fiabilidade, a interoperabilidade e a privacidade se irão unir.

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